Quando o hobby deixa de ser mero passatempo

Empresária de sucesso, Lúcia Neffa levou sua paixão pela língua portuguesa à frente e publicou seu primeiro romance, intitulado “Milagre em Passadouro”

Profissionais bem-sucedidos em sua área de atuação, grandes empresários, por exemplo, costumam ter hobbies para espairecer, descarregar o estresse cotidiano e recarregar a energia para mais um dia árduo de trabalho. Para muitos trata-se apenas de um passatempo, para outros o hobby é alimentado por uma paixão, que faz ultrapassar os limites do mero divertimento e se torna uma outra profissão. É o caso de Lúcia Neffa, diretora do Grupo Neffa, importante empresa do Espírito Santo, que enveredou pelos caminhos da literatura e lançará em maio, pela Editora Gente, seu primeiro romance, “Milagre em Passadouro”.

No que diz respeito a hobbies que adquirem dimensões maiores do que passatempos, Lúcia – conhecida como Xuxu Neffa – tem a companhia de ilustres figuras do mundo empresarial brasileiro, como Jorge Paulo Lehman, empresário, investidor e empreendedor, dono de uma das maiores fortunas do mundo. Desde cedo, Lehman praticou tênis, chegando a disputar o torneio de Wimbledon. Em razão dos negócios, deixou o esporte em segundo plano, mas nunca o abandonou completamente. Em 2012, venceu o Paulistano Open de Seniors, jogando contra adversários mais jovens.

Outro empresário brasileiro de grande renome que levou a sério seu hobby foi o já falecido Antônio Ermírio de Moraes. Presidente do Grupo Votorantim, Moraes se aventurou na dramaturgia. Escreveu três peças de teatro, que foram encenadas, entre os anos 1990 e 2000. São elas: “Brasil S.A”; “S.O.S Brasil”; e “Acorda Brasil”, esta alcançando um público de 26 mil pessoas. Todas as peças acabaram virando livros também.

No caso de Xuxu Neffa, a paixão pela escrita floresceu quando iniciou aulas com o douto da língua portuguesa em análise sintática, professor Carlos Laet de Oliveira. Nessa ocasião, Xuxu havia começado um blog em que escreve sobre o mundo empresarial e sentiu necessidade de aprimorar a gramática a fim de não cometer erros. “A imagem perante aqueles com quem se trocam palavras passou a ser expressa em textos, primordialmente. Passei, então, a preocupar com a primeira impressão causada. Visto que o que se escreve se registra e não se apaga”, afirma.

Laet, com quem Xuxu já tem aula há mais de sete anos, foi responsável por apresentar-lhe uma língua pura e sem vícios. “De livro em livro, cheguei próxima aos grandes escritores de séculos passados, que despertaram em mim uma paixão não só pela gramática, mas também pela literatura”, conta a empresária. Chama que não diminuiu, como poderia se esperar, com as complicações diárias da rotina empresarial. “Se há quem diga que paixão dá e passa, discordo. Amo a língua portuguesa legítima, genuína e curada”, afirma.

A primeira incursão de Xuxu pelo mundo da escrita se deu com a publicação, em 2015, do livro “Os Setes Pecados Empresariais – Relatos próprios e impróprios de uma herdeira”, que descreve o processo de cisão societária pelo qual o Grupo Neffa passou e traça um paralelo entre os vícios cometidos em uma empresa familiar e os sete pecados capitais. Este livro não tinha um objetivo literário, mas sim de ser um instrumento de auxílio para sociedades empresariais familiares.

Já o intuito do segundo livro, ‘Milagre em Passadouro” foi colocar em prática os conceitos obtidos nas aulas de língua portuguesa. Antes de ser escritora, Xuxu é empresária e, como tal, vive de estipular e quebrar metas. “Qual é a meta mor de uma pessoa que estuda análise sintática e que nunca pensou em escrever nada? Fazer um romance”, relata. Mas um romance em que aparecesse de maneira proposital conceitos que possam ser compreendidos por conhecedores da língua. “Por exemplo, há no livro a seguinte colocação: ‘Não me queixo, não queixo’. Eu fiz uso de um verbo pronominal, que ao ser repetido na sequência permite o não emprego do pronome”, explica.

Dito assim não se deve pensar, contudo, que o livro é hermético, inatingível a leitores comuns. Muito pelo contrário. Contando com o auxílio da irmã, Flávia Neffa, sua leitora experimental, Xuxu modificou a versão original, deixando-a mais palatável a todos os gostos. “Eu escrevi o livro e quando faltavam três capítulos para acabar eu dei para minha irmã ler. Ela disse que o livro era bom, mas muito refinado”, conta. Se objetivo era ser lida e difundir os conhecimentos de língua portuguesa, Xuxu ficou com medo de falhar. Diante da crítica, misturou o linguajar antigo com o moderno, transmitindo o refino da língua portuguesa sem deixar a tarefa enfadonha a leitores não iniciados. “O resultado é um livro com uma linguagem muito afável e muito acessível”, destaca.

Sobre “Milagre em Passadouro”

O livro “Milagre em Passadouro” conta a história de um plano mirabolante idealizado por três líderes religiosos a fim de transformar o pequeno município onde residem, Passadouro do Norte, em um polo turístico religioso. O romance descreve de forma saborosa as peripécias desses personagens movidos pela ganância e imoralidade, embrenhados em um mundo de corrupção.

Sobre a autora

Lúcia Murad Neffa, – ou simplesmente “Xuxu’’ Murad Neffa, como gosta de ser chamada – faz parte da terceira geração de uma família de libaneses que chegou ao Brasil há 100 anos e, a partir de um pequeno armazém de secos e molhados, em Vitória, no Espírito Santo (ES), criou um “império”, que se desdobrou em diversos ramos de atividades. Atualmente, os irmãos Xuxu, Flávia e Marco Antônio, comandam o Grupo Neffa, que atua nos segmentos hoteleiro, de eventos e alimentício, com destaque para a indústria de alimentos congelados, Maria Honos, cujo alcance é nacional.

 

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