Psicóloga explica como o dinheiro pode afetar a saúde emocional

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Lidar com dinheiro traz percalços que vão muito além de questões puramente racionais. O peso de uma situação financeira complicada recai sobre a saúde emocional, causando ansiedade, desânimo e irritação. Considerando a inadimplência que, em maio deste ano, atingiu cerca de 62 milhões de brasileiros, de acordo com o Serasa, a manifestação desses sentimentos pode ser mais comum do que se imagina.

A psicóloga Sabrina Amaral, da Epopéia Desenvolvimento Humano, explica que a forma de gerenciar a renda também está ligada ao contexto pessoal de cada um. “O dinheiro representa na nossa vida o valor da nossa força de trabalho, da nossa competência e daquilo que adquirimos. Por isso, está relacionado diretamente ao valor que atribuímos a nós mesmos e as nossas relações.”

Se em um cenário ‘normal’ estes fenômenos já ocorrem, em uma pandemia tudo se intensifica. “Em um momento de medo e incerteza, a pessoa tem aumento do nível de estresse e instabilidade emocional. A longo prazo, isso pode abrir portas para questões mais severas como a depressão e a ansiedade”, conta Sabrina.

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Então, mais fatores se somam à cena, afirma a psicóloga: “Vira uma bola de neve, pois a pessoa deprimida não tem energia para trabalhar ou buscar alternativas para sair da dívida. A pessoa ansiosa, por sua vez, poderá se esquivar do sofrimento que isso lhe causa, não olhando para seus gastos, ou ainda, tendo comportamentos de ‘compensar’ o sentimento de desconforto por meio das compras por impulso, a chamada oneomania.”

Apenas 35% da população brasileira possui conhecimentos básicos sobre finanças segundo o Insper. Ao estar em uma situação difícil, de acordo com a psicóloga, ter um bom nível de autoconhecimento é tão importante quanto ter uma boa organização: “Ninguém é totalmente racional quando se trata de dinheiro. Na realidade, nossa relação com o dinheiro, está diretamente ligada às nossas emoções.  Por exemplo, sabemos que precisamos de um plano financeiro, mas nunca paramos para fazer um. Isso reflete procrastinação ou mesmo insegurança em relação a nossa própria capacidade de administrar nosso dinheiro. Outro exemplo é quando gastamos por imprudência na tentativa de preencher um vazio emocional ou baixa autoestima, criando justificativas do tipo ‘eu mereço’. Nós falamos abertamente com nossos amigos sobre assuntos íntimos como nossa vida amorosa, mas não dividimos com ninguém nosso comportamento financeiro. Ele costuma causar vergonha.”

A psicóloga acredita que medidas no âmbito emocional podem ajudar a recuperar a plenitude e estabelecer uma relação saudável com o dinheiro. Para tanto, ela lista quatro dicas para dar início a esta mudança de rota:

  1. Apertem os cintos, o dinheiro sumiu

O primeiro passo para lidar com um problema, é admitir que ele existe. Falar sobre dinheiro tem que deixar de ser um tabu de culpa e vergonha. Comece identificando suas crenças em relação ao dinheiro.  Pensamentos como ‘Eu já tentei e não consigo’, ‘Lidar com investimentos é complicado’, ‘Não tenho tempo. Sou muito desorganizado’ não vão te ajudar.

Comece a perceber que você já superou muitos desafios na vida. Esse é apenas mais um. Sugiro desenhar três colunas em um papel: na primeira escreva ‘os comportamentos financeiros ruins’, na segunda ‘as emoções e gatilhos que levam a agir daquela forma’, na terceira ‘ações para contorná-los’.

  1. Faça um mapa do trajeto

Para chegar a um destino, você precisa saber onde está, e quais são as opções de trajeto para chegar lá. Na sua vida financeira não é diferente. Portanto, especifique suas fontes de renda, mapeie seus gastos fixos e variáveis para depois fazer um bom planejamento. É fato que isso pode demandar um pouco de energia a princípio, até se tornar um hábito.

Uma boa dica é tornar este processo o mais simples possível para seu modo de vida e fazer pequenos reconhecimentos a cada pequeno progresso conquistado por você.

  1. Ressignifique sua relação com o dinheiro

Pense no dinheiro como uma pessoa, com a qual você foi obrigado a conviver. Como em qualquer relacionamento, vocês irão evoluir e amadurecer a relação ao longo da vida. À medida que você aprende a conhecer o outro melhor e a se conhecer tudo fica mais fácil. Sua relação com o dinheiro é de escassez? As pessoas que são viciadas em ‘TER’ dificilmente conseguem usufruir daquilo que elas já possuem, pois estão sempre pensando no que falta para completar e não acreditam que são felizes ou capazes.

Já as que buscam o ‘SER’ desenvolvem habilidades para ter uma relação mais saudável com o dinheiro, têm clareza do que desejam na vida e buscam alternativas para conseguir.  Estas pessoas desenvolvem habilidades importantes, acreditam em si, moldam o presente pensando no futuro que querem ter. Por isso, veem-se mais otimistas e no controle das coisas, com foco naquilo que é de fato importante. Ou seja, ao persistir no SER, essas pessoas conseguem ter bons resultados não apenas no lado financeiro, mas em todas as áreas da vida.

  1. Errou? Continue a nadar…

É preciso muita coragem para reconhecer as falhas e deslizes. E isso não apenas no aspecto financeiro, mas na vida em geral.  Persista e tenha paciência: não é do dia para a noite que você vai mudar, deslizes podem acontecer. Ao invés de se culpar, procure aprender com eles. Conversar sobre a situação com outras pessoas pode ajudar, especialmente aquelas que estão passando por esse processo ou já tem alguma habilidade desenvolvida neste sentido. E se estiver difícil, aposte na terapia! Às vezes é preciso o olhar de alguém de fora da situação para nos ajudar a corrigir a rota.

O ‘X da questão’

Para finalizar, a especialista conta que o cerne destas situações está no equilíbrio: “Lembre-se que a relação saudável com o dinheiro não é apenas sobre quitar dívidas, mas sim trabalhar para resolver a raiz dos problemas, mudando padrões de consumo e de entendimento do dinheiro, de forma que as adversidades financeiras não voltem a ocorrer. O ‘X da questão’ é que quanto mais problemas com dinheiro uma pessoa possui, mais emoções, sentimentos e pensamentos negativos ela alimenta. Saber lidar com o dinheiro é aprender a lidar com suas emoções e sua história de vida.”, conclui Sabrina.

Quem é Sabrina Amaral?

Psicóloga, hipnoterapeuta clínica, Practitioner em PNL e Coach da Mente, Sabrina Amaral é pós-graduada em Gestão de Pessoas e especialista em neurociência aplicada ao comportamento humano. Ao longo de 20 anos de carreira já desenvolveu e treinou mais de 8.000 pessoas em cursos e palestras para uma vida mais plena e feliz.

Além disso, é Embaixadora da Rede Mulher Empreendedora em Campinas, voluntária na Humanitarian Coaching Network, que provê serviços de coaching para líderes da ONU e UNICEF; e fundadora da Epopéia Desenvolvimento Humano, que vem formando heróis e protagonistas de suas histórias rumo ao final feliz desde 2012.

Linkedin epopeia-coaching | Facebook/Instagram epopeia.com.br | Site www.epopeia.com.br

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