Os benefícios da carne de porco para a saúde

Além de ser uma fonte de gorduras boas, alimento é rico em proteínas, contendo todos os aminoácidos essenciais ao corpo humano

Os derivados do porco (bacon, banha, torresmo, barriga de porco, costelinha, presunto, cerne em geral) estão entre os alimentos mais saborosos que o nosso paladar conhece. Não há como negar. Contudo, parece haver consenso de que não são os mais adequados para uma dieta saudável e balanceada. De acordo com Rodrigo Polesso, idealizador do site emagrecerdevez.com, especialista em emagrecimento e certificado em Nutrição Otimizada e Saúde e Bem-estar pela Universidade Estadual de San Diego, essa visão generalizada é errônea e, grosso modo, baseada em três medos: um de fundo religioso; um relativo a doenças que podem ser transmitidas pela carne; e outro referente à gordura (saturada) do porco, considerada nociva à saúde.

Como o objetivo de seu trabalho é utilizar evidências científicas para discorrer sobre os benefícios ou malefícios de um alimento na dieta alimentar do ser humano, Polesso acredita ser melhor não entrar no mérito da religião. A respeito das doenças que podem ser ocasionadas pela carne de porco, o especialista em emagrecimento ressalta o fato de que toda carne mal processada e mal conservada é um potencial veículo de contaminação, assim como qualquer alimento fresco.

Já no tocante à gordura que compõe a carne suína, Polesso destaca que a maior parte é do tipo monoinsaturada, a mesma que existe em grande quantidade no azeite de oliva e que é venerada pela maioria das pessoas. “Apenas 35% das gorduras existentes na carne suína são saturadas, provando que, simplesmente, não é verdade a crença de que a carne de porco é composta apenas por gordura saturada. De fato, trata-se da menor parte”, afirma o especialista.

O especialista em emagrecimento ressalta que, mesmo sendo popularmente vista como vilã, no que se refere a evidências científicas sobre nutrição, não há nenhum estudo realizado na história que tenha estabelecido provas de que gorduras saturadas sejam nocivas à saúde humana. “O que existem são estudos associativos e epidemiológicos que não servem como embasamento para suportar qualquer relação de causa efeito”, explica.

Gorduras saturadas estão presentes em alimentos considerados saudáveis e que são indicados para quem deseja emagrecer, como azeite de oliva (14%) e o salmão (20%). Por exemplo, a maior parte da gordura – aproximadamente 45% – que compõe o leite materno, o alimento mais importante para um bebê, é saturada, sendo a menor parte insaturada. “Gorduras saturadas são absolutamente necessárias. A natureza sabe o que faz”, diz.

Mesmo com a má fama, a carne suína é a mais consumida no mundo atualmente, segundo a Food and Agriculture Organization (FAO), uma das agências das Nações Unidas (ONU), que lidera esforços para a erradicação da fome e combate à pobreza. Barriga de porco, torresmo, pernil e outros derivados são alimentos típicos de muitas culturas, estando presentes, por exemplo, na culinária colombiana, chinesa e de algumas regiões do Brasil, como Minas Gerais.

Conforme Polesso, do ponto de vista nutricional, há razões para isso, porque, não bastasse ser uma fonte de gorduras boas, a carne suína é rica em proteínas, contendo todos os aminoácidos essenciais, e possui alta biodisponibilidade, ou seja, é muito facilmente absorvida pelo corpo.

Historicamente, também não há motivos para que o alimento seja apontado como principal responsável pela obesidade e problemas cardiovasculares. “É inconcebível que um alimento tão antigo seja o culpado por doenças tão recentes”, sentencia Polesso. De acordo com o especialista em emagrecimento, há registros de que porcos são criados em cativeiro para abatimento desde cinco mil anos A.C e variações do que hoje conhece-se como bacon sejam consumidas há milhares de anos por povos antigos na China. “Outra prova de que se trata de costume antigo (não tão antigo) são nossos avós e bisavós, que tradicionalmente cozinhavam os alimentos na banha de porco”, diz.

Para quem gosta de carne derivada de porco e tem procurado formas de adicionar o alimento à sua dieta, Polesso sugere algumas dicas como usar bacon de condimento nas refeições. “Ovos, omeletes, abacate ficam muito mais saborosos com bacon. Torresmos, por exemplo, são uma ótima opção de aperitivo e lanche rápido.”, afirma.

Polesso alerta ainda para a procedência dos alimentos. Alguns bacons à disposição nos mercados são cheios de conservantes. “Opte pelas versões mais simples e naturais”, recomenda. No que diz respeito aos torresmos, melhor consumir aqueles sem realçadores de sabor e que não tenham sido fritos em óleo vegetal. De acordo com o especialista, presuntos, frios etc. também estão liberados para serem consumidos em uma dieta considerada saudável, desde que sejam produzidos naturalmente, sem conservantes artificiais.

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