Histórias de terror mostram o momento em que a justiça perdeu espaço para a revanche

O signo de escorpião é tido como o mais vingativo do zodíaco. O nascido sob esse signo costuma não levar desaforo para casa, segundo astrólogos, e quando tem a oportunidade, vai à desforra. Foi seguindo esse entendimento que nasceu Ferrão de Escorpião, próximo livro da autora de terror Soraya Abuchaim (Monomito Editorial).

Em quatro histórias – tendo como protagonistas mulheres acuadas, agredidas e vitimadas – Soraya fala sobre abusos, violência, mas também sobre limites e resistência. A autora não faz apologia à vingança, mas mostra como ela, muitas vezes, parece ser o último recurso daqueles que não acreditam mais na justiça.

A psicanalista e escritora Paula Febbe, que prefacia o livro, explica que, segundo Freud, a primeira exigência da civilização é a justiça. “Mas o que cada um entende por justiça? A mulher que não enxerga, mas que tudo vê?”. Ela defende ainda que a dor psíquica, qualquer que seja, é um afeto teimoso: “na dança das cadeiras, ela não soube aonde se sentar”.

Em o Ferrão de Escorpião, as histórias de terror – que vão do sobrenatural à deepweb – camuflam dores reais que fazem parte da vida de muitas mulheres no mundo todo. “O terror é, no livro, uma ferramenta para falar sobre aquilo que é real e mais sombrio que a ficção”.

Medo com toque feminino

Ferrão de Escorpião é o quarto livro físico de Soraya Abuchaim, mas o primeiro que reúne apenas contos. Como autora independente, construiu uma história tão íntima com o terror e o suspense que foi batizada por seus milhares de leitores como Dark Queen. Em 2019, Soraya volta aos romances e deve ser mais uma vez publicada pela Monomito Editorial.  

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