*Andreza Carício

Nunca esteve tão claro que não importa o quão seja difícil para uma mulher expor a violência, as coisas podem piorar. Em uma sociedade que demorou a representar o sexo feminino, logo hoje, não podemos esmorecer.

Para uma mulher, sair do anonimato e se expor diante ao mundo em relação a um acontecimento tão íntimo é lacerante. O que se espera? Acolhimento! Por que? Para que outras mulheres se sintam fortes o suficiente para denunciar os casos de abusos.

A imprensa deve ser acolhedora, pois tem um papel muito importante diante à sociedade, o de informar. De forma imparcial e sensível, o discurso deve ser feito de modo que as pessoas se sintam protegidas.

Não é culpa da roupa, não é culpa do estado de embriagues, não é culpa dela. Nunca é culpa da vítima! As coisas devem ser bem esclarecidas e diante da possibilidade, do processo de investigação, é sempre bem-intencionado aquele que primeiro protege e não acusa.

Em um país que divulga no anuário de segurança que acontece 1 estupro a cada 8 minutos e apenas de 10 a 15% deles são denunciados, é um dever da sociedade mostrar às mulheres violentadas que precisam falar, que elas serão ouvidas e não culpadas ou mesmo envergonhadas.

A humilhação começa no processo do assédio, piora no estupro, e continua a decadência na delegacia, no IML, hospital, e, ultimamente, na mídia. O que toda essa cadeia envolvida, quando vem a público a violência sexual, tem que entender é: uma vítima deve se sentir segura, acolhida e defendida.

O que pensarão daqui para frente as mulheres que não tem condições de contratar um bom advogado? Ou mesmo as que tem, como vão acreditar que não serão subtraídas e subjugadas? Como denunciarão seus casos? Não vão. Não vão, pelo simples motivo de serem constantemente desacreditadas e, assim, violadas novamente, e às vezes, frente a um país inteiro.

Não só esse mês, mas por muitos anos passados e, talvez, muitos futuros, os dias serão de luta. Luta para que essas mulheres não se sintam amedrontadas, luta para que elas falem, luta para que elas possam acreditar que existe uma força motriz no acalanto de outra mulher. Somos muitas!

Muito diferente da posição de Lacan que, após ouvir que se todas as mulheres dessem as mãos fariam volta no mundo, disse que todas as mulheres não iram dar as mãos. Sim! Daremos as mãos, nos protegeremos! A Mulher (com M maiúsculo) existe e é coletivo. Vamos falar sobre estupro, vamos nos defender! Vamos nos unir e não deixar que ninguém nos viole mais uma vez ao relatarmos o estupro.

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