Por Heloísa Capelas

“A pandemia mundial da Covid-19 pede uma reflexão sobre o quanto de empatia e compaixão você compartilha neste momento difícil para a humanidade. São escolhas necessárias para o seu caminho, mesmo que você ache impossível.

Assim como a maioria, você também deve conhecer uma pessoa, famosa ou anônima, de dentro ou de fora do seu círculo de convivência, com quem seu santo simplesmente não bate, como dizem por aí. Quase tudo o que diz respeito a ela, causa, em você, repulsa, mágoa, tristeza, raiva, indignação, quando não uma vontade imensa de dar o troco na mesma moeda.

No meu livro “Perdão, a Revolução que Falta”, eu falo bastante sobre os pré-conceitos que estabelecemos em relação às pessoas muitas vezes sem nem ao menos conhecê-las. Aliás, nós enganchamos” com as pessoas pelas mais diversas razões, mas, sejam quais forem, todos esses motivos dizem muito mais respeito a nós mesmos do que ao outro.

Quero contar por que é que a empatia e a compaixão são essenciais para lidar com tudo isso, mesmo que você ache impossível praticá-las em relação a algo ou alguém.

Principalmente em tempos como esses, de pandemia e de tanta polarização, é importante que possamos nos rever, com abertura e honestidade, para interromper esse círculo vicioso tão prejudicial em que tantas vezes entramos sem nem perceber.

Embora tenha ficado muito mais evidente nos últimos tempos, a maior parte das pessoas tem grande dificuldade em aceitar que o outro pensa, sente e se comporta de formas variadas.

Agimos assim porque, inconscientemente, queremos provar que sabemos mais; que nossa opinião tem valor; que merecemos atenção e respeito. Para além disso, também queremos que o outro reconheça e pague por seus erros. E, então, decidimos condená-lo e puni-lo por suas falhas sem nem perceber que a sentença é (quase sempre) compartilhada.

Se, no meio desta tal polarização ou, mesmo, ao longo da vida, você perdeu ou se distanciou de alguém que pensava ou agia diferente de você, deve saber do que estou falando… Será que aquela pessoa era mesmo tão ruim assim? Será que não tinha mesmo nenhum valor assim a ponto de encerrar essa relação?

Não estou falando de pensamentos e comportamentos que violam os direitos humanos ou a lei. Se você rompeu relações com pessoas cujas crenças ou ações transgrediam o que está posto em alguma legislação, fez bem. Deixe que estes sejam julgados na esfera criminal.

Estou me referindo a pessoas queridas, amigos de longa data, irmãos, primos, tios, pessoas com quem você mantinha um vínculo de afeto e respeito até que a relação se desfez por divergências de pensamentos, ou seja, pela incapacidade de levar uma boa dose de compaixão e empatia a essa relação.

Na empatia, eu encontro, dentro de mim, emoções e pensamentos que refletem os do outro, que são como espelhos. Sou capaz de compreender que, muito embora não tenha sido comigo, aquele episódio que aconteceu e doeu no outro também repercute em mim.

Por isso, empatia e compaixão andam de mãos dadas e a partir delas que você poderá compreender que as diferenças sempre oferecem uma oportunidade de aprendizado e crescimento.

Mas, lembre-se: só é possível desenvolver essas habilidades se você, em primeiro lugar, puder conhecer a si mesmo(a), rever sua própria trajetória, perdoar suas falhas, e reconhecer positivamente suas qualidades.

Então, comece por você. Compaixão e empatia significam AUTOconhecimento, AUTOrespeito, AUTOcuidado, AUTOamor. Quando você está preenchido, sobra e transborda para o outro. O direito de existir é NOSSO; aproprie-se do seu para, em seguida, reconhecer o do outro.”

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