Clube Leitura indica autores LGBT

Nem só de homens brancos e heterossexuais é feita a literatura. Obras literárias de enorme qualidade também são produzidas por grandes escritores e escritoras não-héteros. Valorizando a diversidade presente na literatura, brasileira e mundial, o Clube Leitura já conta entre as indicações de seus consultores literários com livros de autores LGBT.

“O Ano em Que Morri em Nova York”, da escritora e jornalista carioca Milly Lacombe foi indicado pelo consultor literário Flávio Gomes. Neste romance, a protagonista vai do paraíso ao inferno em poucas páginas. Casada com a mulher que ama, ela suspeita de que tenha sido traída durante uma de suas viagens de negócios. A angústia de não saber o que se passa, o medo de perguntar, desconfiança e a dúvida, que nunca tiveram espaço na relação – considerada perfeita pelos amigos –, agora rondam o casal. A obra não é só a história de um casamento desfeito por conta de uma suposta traição. Estas páginas trazem a trajetória de uma mulher desde a sua redescoberta até o doloroso rompimento. Uma mulher que assume sua orientação sexual tardiamente, e que luta para fazer a família entender, os amigos apoiarem e os colegas de trabalho aceitarem.

Uma das principais ativistas brasileiras LGBT, Milly Lacombe cria neste seu primeiro romance, com viés autobiográfico, uma história densa, mas aliviada pelo humor. Um livro que é também uma viagem de autoconhecimento, e, acima de tudo, uma história de amor a si próprio.

Já “Um Milhão de Finais Felizes” foi recomendado pela consultora Babi Dewet e é o romance de estreia do jornalista, ilustrador, youtuber e escritor carioca radicado em São Paulo, Vitor Martins. A obra, cheia de fôlego e sensibilidade, tem conquistado os corações de muitos leitores ao abordar temas como amizade, questões LGBTQ+ e religiosidade.

Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais. Sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas. Mas é quando conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade.

O representante da literatura internacional presente na seleção de livros do Clube Leitura é “O fim de Eddy”, romance autobiográfico escrito por Édouard Louis, lançado no Brasil pela editora Planeta. Best-seller mundial, a obra vendeu mais de 230 mil exemplares e foi traduzido para 20 idiomas.

“O fim de Eddy” desvela o conservadorismo e o preconceito da sociedade no interior da França. O romance narra a infância e adolescência de Eddy Bellegueule em uma aldeia da Picardia, a rejeição que sofre de pessoas da aldeia e da sua própria família por causa de seus modos efeminados, e a violência e humilhações que suporta num ambiente que detesta homossexuais.

Uma infância no inferno: a angústia de um garoto obrigado a enfrentar a crueldade e o conservadorismo de uma comunidade no interior da França. “Todas as manhãs, enquanto me arrumava no banheiro, eu repetia a mesma frase sem parar, tantas vezes que ela terminaria por perder o sentido, passaria a não ser mais do que uma sucessão de sílabas, de sons. Eu parava e retomava a frase: Hoje eu vou ser um durão. Eu me lembro porque eu repetia exatamente aquela frase, como se faz com uma oração, com aquelas exatas palavras – Hoje eu vou ser um durão (e eu choro enquanto escrevo estas linhas: choro porque eu acho essa frase ridícula e horripilante, essa frase que, durante anos, me acompanhou e que de certa forma ocupou, não creio que haja exagero em dizer isso, o centro da minha vida)”.

Para Igor Mendes, sócio-gerente do Clube Leitura “O mundo dos livros é diverso assim como a nossa sociedade, que, cada vez mais, tem tido coragem de expressar e registrar sua diversidade em alto e bom som. Em nossa curadoria sempre orientamos e acompanhamos os nossos consultores literários para que essa diversidade do mundo possa ser expressado em nossas indicações e que cada assinante possa se sentir de, alguma forma, representado em nossa marca”.

 

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