Em meio ao momento conturbado pelo qual as grandes varejistas do setor passam, serviços que têm como objetivo universalizar a leitura ganham espaço no mercado

Nos últimos meses, a imprensa veiculou uma série de notícias a respeito da crise pela qual o mercado editorial tem passado. Duas das maiores livrarias do país – Cultura e Saraiva – entraram em recuperação judicial, com dívidas que, somadas, chegam próximas a R$ 1 bilhão.

A Cultura tomou a decisão justificando que o setor encolheu 40% desde 2014, já a Saraiva alegou não ter conseguido acordo com fornecedores para renegociação de dívidas, listando débitos de R$ 675 milhões. A crise tem feito as editoras diminuírem o número de livros lançados, deixando autores de venda mais lenta fora de seus planos imediatos, demitindo funcionários em todas as áreas.

A crise, no entanto, não passa por uma diminuição na demanda por livros. Pelo contrário, essa demanda está em expansão, ainda que discreta. Mesmo em meio a esse momento conturbado, os leitores têm outras opções para ter acesso à leitura que não sejam as grandes redes varejistas. Conheça 4 serviços que têm como objetivo ampliar o acesso aos livros:

Bibliotecas corporativas
O estímulo à leitura dentro do ambiente corporativo pode contribuir como um diferencial competitivo para as organizações que investem nesta direção. Essa é a proposta da Kisoul, empresa criada em 2015 que implementa e faz a gestão de bibliotecas corporativas, que acredita que o desenvolvimento do hábito da leitura entre os colaboradores aumenta a interação entre eles e promove o aprimoramento do indivíduo por meio do conhecimento.

O acervo disponibilizado pela empresa pode ser voltado para temas específicos às atividades da empresa ou abordar temas variados como filosofia, romances, gastronomia, administração, liderança, gestão, governança, infantis, entre outros. A Kisoul, por meio de uma parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos, também oferece livros acessíveis nos espaços de leitura de seus clientes com o objetivo de promover a inclusão de pessoas com deficiência visual e levar mais conhecimento sobre o assunto para dentro das companhias.

Streaming de livros
Foi-se o tempo em que o livro era um objeto feito apenas para ser folheado. Agora, o leitor tem a possibilidade de ouvir suas obras preferidas em alto e bom som. A Ubook é uma alternativa que oferece audiolivros por streaming – um sistema semelhante ao da Netflix. O assinante paga uma mensalidade fixa e tem acesso a todo o catálogo de livros em áudio disponibilizado pela empresa. Ele pode utilizar o serviço a qualquer momento, sem limites, intercalando o número de títulos que pretender.

A Ubook tem hoje aproximadamente 25 mil livros disponíveis em inglês, espanhol e português. A ideia da empresa é que seu modelo de audiolivro seja complementar a outras formas de literatura.

Clubes de assinatura
Os leitores vorazes que gostam de sempre descobrir novas obras podem recorrer aos clubes de assinaturas que já são tradicionais em outros setores. A TAG é um clube de assinaturas de livros que envia mensalmente uma edição exclusiva de um livro surpresa escolhido por um escritor aos seus clientes. O serviço conta com mais de 25 mil assinantes que recebem uma caixa com edições de luxo, com capa dura e projeto gráfico exclusivo.

A curadoria do conteúdo enviado é feita por nomes de grande relevância na literatura mundial como Luis Fernando Verissimo, Marina Colasanti, Ruy Castro, Heloisa Seixas, Luiz Ruffato, Adriana Lisboa, Sérgio Rodrigues, Maria Rita Kehl, Daniel Galera, Heloisa Buarque de Hollanda, Jorio Dauster, entre outros. Até mesmo um vencedor do Nobel de Literatura como o peruano Mario Vargas Llosa está entre os responsáveis por escolherem as obras que chegam aos assinantes.

Livros digitais voltados a crianças
As crianças nascidas nessa década têm um apreço especial pelas telas de smartphones e tablets. Como nativos digitais, eles têm maior facilidade para interagir com esses tipos de dispositivos do que crianças de outras gerações. Com o objetivo de estimular a leitura no público infanto-juvenil, a StoryMax está publicando livros que são, na verdade, aplicativos que trazem uma história com animações, sons e interatividade, transformando a experiência da leitura, que acontece em tablets ou smartphones.

A empresa já fez parte do Google Campus, programa que seleciona startups com potencial para receber apoio do Google por um semestre, e desenvolveu alguns aplicativos que tinham o objetivo de fomentar a leitura para escolas americanas.

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