Muitas vezes, o objetivo se torna um obstáculo que nos impede de descobrirmos quem realmente somos

O Brasil sempre foi um país que teve um grande envolvimento com a temática da Espiritualidade em suas variadas formas de expressão e culto. Já faz alguns anos que essa Espiritualidade se ampliou ainda mais, indo além das religiões, e vimos práticas como a Meditação, o Reiki, estudos de Radiestesia, Yoga e tantos outros começarem a fazer parte até da nossa rotina. Palavras como autoconhecimento foram incorporadas ao nosso conceito de alma e toda essa novidade passou a ser disponibilizada através de cursos, livros, palestras, workshops… Assim, o nosso caminho, o nosso modo de ver a vida, mudou em grande parte e para muitas pessoas, no entanto muita gente deixou passar despercebido um detalhe importante sobre essa busca, sobre esse desejo de chegar a algum lugar, de se tornar alguém. Será que esse objetivo é algo verdadeiramente sadio?

1. O aqui e o agora

Quando os nossos olhos estão no horizonte, perdemos de vista o chão sob os nossos pés, com as suas pedras e também as suas flores. Isso é o mesmo que dizer que o hoje vai embora enquanto sonhamos com o amanhã. Não se trata de ficar parado, deixando a vida passar em branco. É sobre estarmos conscientes do que se passa quando abandonamos o lugar onde estamos pela busca de um lugar em que não estamos. Nisso, abandonamos quem somos aqui e agora para tentarmos nos transformar em alguém que não somos. Não é um assunto fácil, porque muita gente acha com isso que a vida não tem graça. Porém é justamente o contrário, é trazer a graça para o momento presente e não adiá-la. O que não anula a realidade de que estamos sempre nos transformando, mas estamos nos transformando em quem nós já somos interiormente; ou seja, estamos nos descobrindo e não abrindo mão da nossa natureza por uma ideia de perfeição.

2. O último objetivo

 Quando então não percebemos a beleza de quem somos e de onde estamos, acabamos por criar um objetivo que parece muito belo, que é o de nos tornarmos alguém melhor, mais iluminado, às vezes através da repressão do que sentimos, ou da mudança da personalidade, entre tantas técnicas. Esse objetivo se tornou tão habitual que é quase invisível, ninguém o discute. O problema é que ele esconde um profundo perfeccionismo; através dele, o horizonte sonhado jamais é alcançado; mesmo que você conquiste um novo olhar, esse nunca será suficiente, a fome por mais sempre existirá. A mente sempre pregará uma peça enquanto não estivermos atentos ao modo dela de agir; é preciso consciência, autoconhecimento, para perceber que essa estrutura de “alcançar um objetivo” é que acaba nos afastando de descobrirmos quem somos. Quanto mais apaixonados por essa luta, por essa conquista, mais distantes ficamos da nossa natureza interior. A ideia de um objetivo é na verdade o nosso apego, e descobri-lo é um passo verdadeiro na nossa existência.

3. Aceitar-se

Fora da repressão, fora da aversão que temos por nossos desequilíbrios, está o começo da nossa verdade. Não há erro algum em estudar, aprender novas práticas de Meditação, fazer um curso de Reiki; ao contrário, isso tudo ajuda muito. A questão é que devemos ver tudo isso como uma ressignificação: ao invés de tentarmos atender a um modelo de perfeição, aceitamos quem somos e começamos a aprender a lidar com tudo o que está em nós: a nossa raiva, a nossa bondade, a nossa inveja, a nossa inocência, a nossa compaixão… O espinho está ao lado da pétala. E quem disse que o espinho deve ser arrancado? Quanto mais você o aperta, mais ele fere as suas mãos. Aceite os seus desequilíbrios, esteja consciente deles, com o tempo tudo se transforma, naturalmente através da consciência. A Espiritualidade não deve ser o abandono de si mesmo, mas a aceitação. Basta mudar esse olhar, essa direção. Sua vida não precisa mudar, virar de cabeça para baixo. Você continua andando pelo caminho, apenas passa a apreciá-lo, passa a reparar na sua beleza. Assim você descobre que ser espontâneo é estar vivo de verdade, e isso também é inteligência, pois deixa o mundo muito mais belo.

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