Deus,Religião e Homossexualidade

Fé, religião e sexualidade.
Esse Texto Foi Escrito Pelo o Cantor “Caio Dias” e retirado do Facebook e uma opinião dele.E um texto super interessante que decidir republicar aqui em Refletindo Atitude.
Há 27 anos ouço inúmeras opiniões sobre isso. E todos demonstram segurança e certeza sobre o que dizem. Comigo não é diferente. A questão é que, atualmente, me sinto confortável para falar a respeito.
Sou cristão do segmento protestante, o famoso “crente e ou/evangélico” e também gay, o chamado “bicha e/ou veado”. Basicamente fui criado nessa vertente de fé e, desde sempre, me deparei com a clareza da minha sexualidade. Esses dois fatores, somados, são uma verdadeira explosão.
 
 Nunca foi possível falar a respeito com ninguém na minha infância. Medo de errar duplamente: com a família e com Deus. Aprendi que as coisas funcionavam assim. Ser considerado uma “aberração” poderia acontecer de ambas as partes, caso eu me expusesse. Então me calei, como a maioria faz.
Dessa maneira, aprendi a me virar sozinho, junto com tantos outros, também em busca das respostas. “Se Deus deseja tanto minha heterossexualidade, por que precisei ser gay antes? ”. Perguntava-me isso frequentemente. E enquanto a resposta não chega, inúmeras tentativas de mudança ocorrem. Alguns apostam em diversos rituais de “reversão”. Outros decidem anestesiar tamanho conflito com as doses superlativas de diversão. Num geral, acabamos ainda não satisfeitos com os resultados.
Mesmo observando uma postura dita “divina” diante da minha sexualidade, pregada por muitos, não aceitava aquela resposta. Poderia Deus estar tão preocupado assim com isso e, se estava, qual a importância daquilo para Ele? Tanto a sociedade, quanto as religiões reduziram o meio gay ao ato sexual.

Condena-se as relações homo afetivas. Expõe-se uma desaprovação de Deus a respeito e se afirma, insistentemente, que todas essas orientações estão claras na Bíblia: “com homem não te deitarás como se fosse mulher (e vice-versa) ”, a famosa passagem no livro de Levíticos, no Antigo Testamento da Bíblia Cristã, entre outras constantes em Romanos 1 e por aí vai.
E quem disse que as relações humanas, sejam gays ou não, são basicamente sexuais? E uma vez que elas não são, pois existe amor entre aquelas pessoas, como podemos afirmar com todas as letras uma “rejeição” divina? Não é o próprio Deus a fonte de todo amor? E se de “uma mesma fonte não pode jorrar duas águas distintas”, conforme a própria Bíblia Cristã, o amor entre um casal homo afetivo vem de onde?
Se muitos de nós (gays) aprenderam a lidar de maneira “errada” com os relacionamentos, sendo excessivos, pouco fiéis, tendo alta frequência e baixa aderência em relações, é porque não houve uma educação adequada em casa. Isso não está na cota de Deus. Está na nossa, seres humanos. Uma criança obesa, negra, em maioria, se sente confortável para dizer aos pais que foi vítima de preconceito. A criança gay não. E esse silêncio provoca efeitos, em alguns casos, irremediáveis. Quando assumimos nossa sexualidade à família, já somos adultos, estamos prontos. Somos forçados a aprender viver segundo nosso instinto.
Mesmo passando por todo tipo de campanha, orações, encontros com Deus, reencontro e uma infinidade de coisas na minha juventude, duas coisas em mim não mudavam: a minha orientação sexual e a indignação sobre Deus querer tanto aquilo de mim. Por que isso era importante para Ele?
Jesus pregou o amor, o auxílio. Se baseou na chamada ‘Bíblia Hebraica’, conhecida pelos Cristãos como ‘Antigo Testamento’. Todos os códigos e leis escritos até então ele resumiu em “amarás a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo”. Existiam duas versões dos manuscritos no período, a oficial, na língua hebraica e a traduzida para o grego por 70 judeus (chamada septuaginta), durante longos anos.  O grego koiné era altamente falado naquele momento, devido a atuação do Império Romano, razão da tradução. Mas naquela época as instruções estavam em rolos individuais. Não existia essa versão compilada dos livros, tal qual conhecemos atualmente. Isso aconteceu no primeiro século da morte de Jesus, quando os judeus rabínicos verificaram a alta propagação da fé Cristã. Era necessário garantir a essência do judaísmo. Jesus e a mensagem do amor foram considerados uma seita, heresia.
Os seguidores de Cristo iniciaram a documentação dos feitos dele, também após a sua morte. Os ensinamentos eram repassados oralmente, a princípio. Discípulos e apóstolos se lançaram no objetivo de formalizar pela escrita a vida e obra do Messias. Apenas os evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) circulavam, nos primeiros séculos, como coletânea dos livros genuínos da fé cristã. As cartas de Paulo e os livros de outros apóstolos circulavam de maneira individual.

 

A primeira versão da Bíblia Cristã, próxima ao que conhecemos, foi publicada séculos depois, após o consenso de muitos praticantes da fé. A versão atual, usada pelos protestantes, foi divulgada na Idade Média, com a Reforma Protestante de Martinho Lutero, especificamente em 1517. Desde então, diversas interpretações bíblicas têm estimulado o surgimento de grupos e doutrinas incontáveis.
Sendo assim, qualquer tentativa de dizer com certeza qual é o querer de Deus ao homem, de forma certeira, sobre como fazer isso ou aquilo, o padrão de relacionamentos etc, é tolice, ao meu ver. Visto que isso não importa. Do contrário, o próprio Jesus deixaria um evangelho segundo ele mesmo. Mas muito mesmo antes da vinda dele, a humanidade discutia versões, interpretações e aplicações ideais das mensagens divinas. E após ele, as coisas continuam do mesmo jeito. E assim sempre será.
Eu, particularmente, acredito nas inspirações contidas na Bíblia, como tentativa divina em ensinar algo bom ao homem. De Gênesis ao Apocalipse, a principal instrução é a aderência ao amor, à bondade. Contextos históricos variados, inúmeros autores e culturas múltiplas. A questão é que o homem nunca será capaz de representar com excelência qual é a vontade de Deus, nem mesmo sua natureza. Nem verbalmente, nem por palavras escritas. Somos finitamente limitados, ao contrário da essência divina.
Vida espiritual e relacionamento com Deus é algo particular, subjetivo. Inspirações existem, mas elas se aplicam conforme a realidade de cada um. E é por compreender dessa forma a natureza de Deus, inexplicável, e o ato de amor de Jesus, indescritível, não ligado a mérito, que mantive minha fé nisso tudo, mesmo sendo gay. Afinal, os rótulos importam para quem? Para o ser humano, necessitado de segurança. É mais confortável “saber” de tudo. Mas sinto lhe informar: as repostas não estão todas disponíveis. No mais, deixe os gays em paz. De relações homo afetivas entende quem vive. Se não é o seu caso, ocupe a mente. Tente lavar uma louça, ajuda.

A Busca Da Homossexualidade

Texto Escritor Por Caio Dias.
Fonte:/Facebook
Livros e Paixão:Da um Clique

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